Trecho do Capítulo I
Subiu o discípulo ao monte, dias depois, possuído pelo desejo de reencontrar o grande Mensageiro. Sua alma fremia de gozo e expectação, refletindo-se em seu coração, que pulsava desordenado, e no seu pensamento, que vivia nos páramos de anseio incontido.
Todo ele, verdadeiramente, estava em rebuliço emocional.
Ao topar o cimo do monte, repontava no Oriente a lua em crescente. Havia paz e quietude nos ares; havia mundos faiscantes nas alturas; havia estremecimentos na alma do discípulo. Preso de comoção, por se achar no local onde pela primeira vez tivera a sua grande visão, sentiu-se ele opresso, acanhado e submisso.
— Meu DEUS, — bramiu, — eu não sei se Te mereço! Perdoa, SENHOR, se eu estiver errado, a minha ousadia... Mas, DEUS meu, Tuas verdades me encantam e dominam.
Sentou-se, recostou-se numa rocha e orou. Aos poucos a escuridão cedeu, seus olhos espirituais começaram a ver e sua emoção cresceu. Estava em face da imensidão, tinha diante de si o espaço repleto de mundos lucilantes.
Dentro de si, havia uma interrogativa ansiosa:
— Onde estás, grande Mensageiro?!
E rebuscava com seu olhar espiritual, a estrela que devia ser o Mensageiro sublime, mas nada via vindo do alto.
— Aqui estou! — disse-lhe alguém, ao lado.
O discípulo olhou e viu um homem simples, comum, sem luzes e sem cores, sem a gloriosa presença do grande Mensageiro.
— Onde está o Mensageiro? — perguntou.
— Aqui. Sou eu mesmo. — respondeu-lhe o espírito, com serenidade.
Diante de mal disfarçada decepção do discípulo, volveu o espírito:
— Acaso não me queres?
— Aquele era brilhante, glorioso, musical...
Feito à imagem da bondade, replicou-lhe o novo Mensageiro:
— Como queres crescer, sem auxiliar? Pensas mais em ti mesmo do que nos outros. Não percebes que devo trabalhar, para crescer também? Ou é falso que tens sofrido pelos erros e pelas dores do mundo?
— Que me podes oferecer? Pareces um homem vulgar, um espírito sem LUZ!
Sorriu o espírito, elucidando:
— Que importa a ti o meu brilho, se não me é possível reparti-lo contigo? O de que tens necessidade, lembra-te é de Conhecimento e de Trabalho. A LUZ nunca é mais do que o reflexo das realizações íntimas; e as realizações íntimas representam o Conhecimento do trabalho, vivido. Se me queres brilhante, procura brilhar também. É impossível que o faças, porém, sem respeitar nos outros a necessidade de esforços colaboradores. Se me deres a oportunidade de ensinar, dar-te-ei a de conhecer, e teremos feito uma obra digna de irmãos; isto é, digna de filhos de DEUS. Porque aquele que não respeita, nas suas necessidades, a necessidade alheia, não procede como bom filho de DEUS.