quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

LEI GRAÇA E VERDADE

 Capítulo III

A terceira lição foi retardada, pelo fato de não vir ao encontro do discípulo o Mensageiro invocado. Subindo ao monte, numa noite de lua crescente, ali ficou ele algum tempo a orar, sem ser atendido.
Como aprendera a ser vigilante, armou-se de reverência perante DEUS e começou a descer a encosta. Sabia DEUS, por certo, os porquês do acontecimento.
Ao entrar em sua casa, deu de frente com uma jovem desconhecida, que estava a se estrebuchar, presa de ataque. O discípulo perguntou aos pais a razão de estar ali a jovem, e com aquele mal, havendo eles respondido:
— Veio ao encontro de tua irmã, tratar de costura, e, estando a conversar conosco, deu-lhe o ataque. Temos feito cheirar vinagre, alho e outras coisas, mas o mal não se vai.
O discípulo pensou e tornou a pensar, julgando ser bom aplicar-lhe as mãos, de acordo com os ensinos e exemplos do CRISTO. Porque, julgou, podia muito bem ser um caso espiritual. Imaginou e fez, convocando todos à oração, pois ele sabia que os seus eram religiosos, embora dogmáticos e idólatras.
Ao cabo de pouco, viu ele o Mensageiro, que agarrava um espírito pelas mãos, auxiliado por dois outros. Uma vez afastado o espírito sofredor e rebelde, a jovem retornou a consciência de si, revelando acanhamento e angústia.
— Não te mortifíques, — disse o discípulo, — que não és doente.
Ela em grande aflição revidou:
— Há seis anos que sofro deste mal... Por que não sou doente? Desfiz o noivado e procuro a cura que nunca chega!
Revelando alegria e não tristeza, revidou-lhe o discípulo:
— Vi que três Mensageiros retiravam de ti um espírito sofredor e rebelde.
— Espíritos?! — Fez a moça, todo espantada.
— Sim, espíritos. De que se admira? Nunca leu a escritura, pelo menos?
Receosa, com olhar desconfiado, a jovem afirmou:
— Meus pais são protestantes!
Sorrindo, o discípulo interpôs:
— Meus pais são católicos.
Olhando de soslaio, como a espreitar algum perigo iminente, a jovem perguntou:
— E você?...
Compenetrado, olhando-a de frente e francamente, faz ele a sua confidência:
— Procuro ser verdadeiro... Busco a VERDADE que liberta, porque tenho intenções de vir a ser cristão.
— Sem Religião?! — disse a jovem meio horrorizada.
Penalizado, explicou o discípulo.
— Para mim a VERDADE é a Religião. Quanto ao mais, aprendo com os espíritos Mensageiros... Tenho subido ao monte, feito orações e visto coisas maravilhosas. Tenho deixado o corpo, tenho ido a uma assembléia de estudos, no mundo espiritual...
Percebendo o espanto que se refletia no semblante da jovem, interpelou-a:
— Por que pensas assim? Que juízos estás a engendrar?
Ela balbuciou, cismática:
— E a palavra de Deus?...
Cada vez mais triste e penalizado, explicou-lhe o jovem:
— A palavra de Deus não é a letra, não é o relato literário; é a VERDADE que contém, são as leis reveladas e os exemplos vividos, que todas as criaturas devem procurar imitar. Observe que a LEI DE DEUS não prescreve sectarismo algum, apenas manda ser bom e moralizado, intrinsecamente demonstrando que a REVELAÇÃO é o instrumento informativo. Quanto ao CRISTO, que o Evangelho expõe, viveu a LEI e veio trazer a REVELAÇÃO para toda a carne. Ninguém, portanto, será bom cristão, sendo revel à REVELAÇÃO.
— Quem lhe disse isso?! — perguntou-lhe a jovem, sempre desconfiada.
— A REVELAÇÃO...
— Não compreendo... Não compreendo... — fez a moça, perturbada.
— Quem não compreendeu, — replicou o rapaz, — encravou na cruz ÀQUELE que se apresentou aos homens como sendo o CAMINHO, a VERDADE, e a VIDA. Ao PORTADOR DA GRAÇA, como diz a Escritura. 


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