CAPÍTULO I
Quando Catarina assomou à porta do quarto, onde seu marido de há muito sofria as torturas de mal incurável, sentiu passar por si alguma coisa estranha, uma espécie de gélida aragem. Como tudo estivesse fechado, sem possibilidade alguma de corrente de ar, Catarina procurou atinar com o que fosse aquilo, posto que o fenômeno fora intenso. Não encontrando explicação nas leis físicas, embrenhou a mente nas suposições espirituais, concluindo pela morte do esposo, clamando em brados alarmantes, acordando sua mãe e os dois filhinhos, que, assustados, vieram ter a ela.
Eu, seu filho mais velho, contando então dezesseis anos, acordado que estava e na cozinha, tomando a primeira refeição, a fim de rumar ao trabalho, acorri aos apelos, encontrando-a debruçada sobre meu pai, que de fato estava morto.
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